A Festa do Cinema Italiano está de volta!

Arrancou na passada sexta-feira, dia 1 de abril, a 15ª edição da festa do cinema italiano. 

Se é inegável que o cinema encontra em Itália uma das suas grandes pátrias, podemos admitir a importância que a Festa do Cinema Italiano tem para a oferta cultural portuguesa. Ao longo dos últimos anos, ajudou a relançar um gosto não só pelo cinema, mas pela cultura italiana. Stefano Savio referiu, nas breves palavras com que nos recebeu na sessão de abertura, que na primeira sessão do festival, em 2008, estiveram presentes quarenta pessoas no Teatro do Bairro Alto, e muitas pizzas. Agora, na sua 15ª edição, a Festa enche grandes salas por várias localidades em todo o país. 

A Festa do Cinema Italiano – que já é uma das mostras mais aguardadas no panorama dos festivais portugueses – tem a importante tarefa de homenagear e divulgar o que de melhor se faz, e se fez, nesta bela forma de arte que nos apaixona. A programação é diversificada e as únicas restrições que enfrenta são geográficas. É assim o festival que arrancou esta sexta-feira, e estará em curso até ao início do próximo mês.

©  Ennio Morricone, Ennio de Giuseppe Tornatore

A abertura decorreu simultaneamente em Lisboa (Cinema São Jorge) e no Porto (Cinema Trindade), com a antestreia nacional do comovente documentário de Giuseppe Tornatore, Ennio. E que bonita forma de abrir um Festival.

Dedicado a Ennio Morricone, com certeza um dos compositores mais memoráveis – para não dizer, o mais memorável – do cinema moderno, e que nos deixou em 2020, aos 91 anos, este documentário é uma bonita viagem a alguns dos mais importantes momentos do cinema dos últimos sessenta anos, feita através de cada nota que nos traz recordações de alguns objetos de culto cinéfilos que habitam a nossa memória. Um deles é Cinema Paraíso, o marco inaugural da parceria de Giuseppe Tornatore e Ennio, que se iria manter até ao fim da vida do compositor. 

Foi uma grande alegria ouvir a esgotada principal sala do São Jorge reagir tão fulgurosamente a cada palavra de carinho expressa acerca do compositor pelos diversos entrevistados – pessoas que trabalharam com ele e o admiravam desde Quentin Tarantino, a Bruce Springsteen ou até Dulce Pontes, que estava presente na sessão. Ou a risada geral que o desafinado trauteio de Ennio – algo utilizado no processo de criação do compositor – despertava. Este filme é sobre filmes, e também sobre fazer filmes. Sobre a paixão pelo cinema e pela música.

O documentário está inserido na secção Panorama, uma das mais interessantes, e recheada de surpresas. Importante ainda referir, neste contexto de antestreias, Salvatore – Shoemaker of Dreams de Luca Guadagnino, exibido no festival de Berlim, Marx pode esperar (Marx può aspettare) do veterano Marco Bellocchio, que promete uma abordagem íntima à personalidade do mesmo, e Das profundezas (Il Bucco), de Michelangelo Frammartino, que foi premiado em Veneza e cujo realizador estará presente no festival.

@ Fotografia de Paolo Di Paolo

No centenário de um dos grandes nomes do cinema italiano, Pier Paolo Pasolini, a Festa do Cinema Italiano e a Cinemateca Portuguesa prestam-lhe a devida homenagem com uma retrospectiva dos seus filmes. A sessão de abertura também aconteceu no primeiro dia da Festa, com Passarinhos e Passarões (Uccellacci e Uccellini), na qual fomos brindados com a presença de Ninetto Davoli, um dos rostos, e não só, que nos vem à cabeça quando pensamos no cinema de Pasolini, pois este esteve presente em nove filmes do realizador. Entre as atividades paralelas desenvolvidas pelo festival encontra-se a exposição de fotografia La lunga trada di Sabbia, de Paolo di Paolo, para ver na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

O festival conta ainda com a secção As décadas do Amor, dedicada à quase tradicional representação do amor entre a juventude italiana, neste caso nas últimas cinco décadas. Irá abrir com Comizi d´Amore de Pasolini, e terminar com o mais recente Futura, de Pietro Marcello, outro filme da secção Panorama a ter em atenção.

A 15ª edição da Festa do Cinema Italiano tem muito para ver até 10 de abril, o último dia do festival, no qual será exibido Il bambino nascosto, de Roberto Andò, filme que teve a honra de encerrar o Festival de Veneza, numa Cerimónia de Encerramento que promete ser tão tocante como a Cerimónia de Abertura.

[Foto em destaque: © Festa do Cinema Italiano]

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