Suíço L’Îlot vence o festival Visions du Réel

A Long Journey Home da chinesa Wenqian Zhang vence a secção Burning LightsPortugueses sem prémios em Nyon.

L’Îlot, a estreia do suíço Tizian Büchi, foi o filme vencedor do Grand Pirx do Visions du Réel. Uma produção local, de Lausanne, que vence o festival, algo que não acontecia há quase dez anos, celebrando de uma forma perfeitamente conseguida a visão misteriosa que funda a investigação do acto de ver, no limite entre a realidade e a ficção, escondida numa insólita dimensão espacial e geográfica. A partir de uma área ribeirinha de lazer da cidadã de Lausanne, agora vedada por motivos misteriosos, facilita-se um ponto de vista entre vários cidadãos de diferentes proveniências e culturas. Desde logo, um dos guardas, de origem angolana e um dos muitos emigrantes portugueses, proprietário de um café local, além de um outro guarda magrebino, entre diversos espanhóis, uma jovem guitarrista à procura de inspiração ou até uma criança que acredita existir ouro naquelas águas, como que a acentuar as diversas hipóteses de fantasia que acentuam o lado híbrido dessa realidade. 

A Long Journey Home, de Wenqian Zhang ©Visions du Réel

Também estreante, a chinesa Wenqian Zhang venceu na secção Burning Ligts com o filme A Long Journey Home, em que a sua câmara regista a coabitação familiar ao mesmo tempo que a sua vontade de emancipação choca com uma visão mais tradicional. A suíça-japonesa Julie Sando venceu na categoria de Competição Nacional e o prémio Zonta pela sua escola de cinema Fuku Nashi.

Fire of Love, de Sara Dosa ©Visions du Réel

O prémio do público foi para o filme americano Fire of Love, de Sara Dosa, sobre um retrato efusivo do casal de vulcanólogos Katia e Maurice Krafft mortos em 1991. Ao passo que o prémio FIPRESCI, representando o júri da crítica internacional, distinguiu o peruano Steel Life, de Manuel Bauer, sublinhando a descrição da actualidade peruana, envolta numa “subtil crítica social das injustiças do sistema capitalista”. 

Steel Life, de Manuel Bauer ©Visions du Réel

Emilie Bujès, a directora artística do Visions du Réel, congratulou-se pela “variedade de géneros, gerações, pontos de vista e geografias que nos guiaram terem sido reconhecidas e premiadas pelo público e pelos membros do júri”. Isto num palmarés que inclui sete primeiras obras, “novas vozes que se equiparam aos trabalhos de realizadores experientes”, referiu no serão de sábado, dia 16 de Abril. 

De referir que a 53ª edição do festival apresentou 160 documentários provenientes de 68 países, sendo que dos 124 filmes apresentados na seleção oficial, 85 foram exibidos em estreia mundial. No que diz respeito à adesão do público, a edição deste ano terá sido muito semelhante à de 2019, a última celebrada presencialmente e não em versão online. 

[Foto em destaque: L’Îlot, de Tizian Büchi ©Visions du Réel]

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